![]() |
|||
![]() |
![]() |
![]() |
|
John Dalton |
![]() |
- A Descoberta do Átomo John Dalton se tornou famoso porque descobriu fatos sobre a matéria e formulou leis que hoje, mais de cem anos após a sua morte, continuam sendo os princípios fundamentais para os que estudam Química. Infelizmente, seus pais não o ajudaram para isto. Seu pai era um pobre tecelão de uma aldeia do condado inglês de Cumberland, incapaz de melhorar a própria sorte. A mãe possuía um temperamento mais lutador, mas, sozinha, não podia tirar a família da miséria contra a qual tinham que lutar para sobreviver ... Pertenciam à seita dos quacres e John foi mandado para a escola deles, onde logo mostrou pendores matemáticos. A partir da idade em que já podia dar aulas, até à morte, sustentou-se principalmente com o ensino da Matemática. Um senhor quacre, que notou a vivacidade de John para esta matéria, levou-o para servir como empregado em sua casa e deu-lhe aulas de Matemática. Quando o rapaz completou dezoito anos, tentou fundar uma escola por sua própria conta. Instalou-a primeiro num celeiro e, depois, numa sala de assembléia dos quacres. Nessa escola, ele tinha crianças de todas as idades, desde aquelas que precisavam tomar nos joelhos até os que queriam brigar com o mestre quando eram castigados. No fim da semana, recolhia as moedinhas que os pais dos alunos lhe enviavam para pagar a educação de seus meninos. Isto lhe rendia cerca de um dólar por semana ... Após duas semanas neste trabalho exaustivo, teve que se empregar como trabalhador agrícola para poder manter-se vivo. Retornou logo ao ensino. A situação era difícil. Um cavalheiro cego, por sorte, interessou-se pelo seu caso e ajudou-o a prosseguir nos estudos, ensinando-lhe grego, latim e francês, levando-o ainda a estudar as obras dos principais matemáticos ingleses. Prosseguia a velha luta de John contra a pobreza, batalha que teve de travar durante a vida inteira, apesar do valor demonstrado em anos posteriores. Pode-se dizer também que toda a vida de John Dalton foi tão triste quanto suas vestes de quacre. Viveu em Manchester, uma monótono cidade industrial. Ocupava quartos pobres, sem mobília; para a sua própria personalidade era triste, pois não sobressaía nos contatos sociais, pela as expressão banal e modos canhestros. Era o extremo oposto de Benjamin Thompson, que, apesar da mesma origem pobre, soube cativar os cientistas, estadistas, nobres, príncipes e reis, com sua personalidade tão simpática. Além disso, o mundo parecia monótono aos olhos de Dalton, incapaz de distinguir as cores. Foi aliás o primeiro a descrever este tipo de cegueira e, por isso, esta deficiência se chama daltonismo. Mais tarde, quando já era famoso, seus amigos, com dificuldade, conseguiram persuadi-lo a ser apresentado à Corte. O traje a rigor, na época, incluía o uso de uma espada na cintura. Sendo da seita dos quacres, pacifistas ao extremo, Dalton se negou a usar a espada, mas disse que vestiria com prazer a beca de Oxford, a que tinha direito por ter recebido o doutorado honoris causa daquela Universidade. Assim compareceu à cerimônia. A beca de Oxford é vermelha, brilhante, mas a seus olhos ela parecia da mesma cor que a lama das ruas. E, assim, o pobre quacre, que sentia escrúpulos em vestir roupas de cor, apresentou-se à Corte como se fosse um pássaro vermelho, no meio dos corvos! O lema de Dalton poderia bem ter sido : "Um cabeçudo tudo consegue". Sem talentos brilhantes, contava com uma força de vontade enorme e podia trabalhar, longa e continuamente. Sua única distração era jogar boliche um vez por semana. E, uma vez por ano, ia passar umas férias rápidas no seu Cumberland natal, para escalar as montanhas. Talvez tivesse um problema de consciência com estes poucos momentos de distração que se permitia e os considerasse como perda de tempo. Quando lhe perguntavam por que não se casara, vinha a resposta : "Nunca tive tempo". O nome de Dalton, na ciência, é ligado à chamada teoria atômica. Os gregos e, mais tarde, Francis Bacon e Isaac Newton afirmaram que a matéria é composta de partículas tão pequenas que são invisíveis. Um cientista francês contemporâneo a Newton chamou-as de átomos, palavra arrancada do grego e que significa "indivisível". Dalton aceitou esta teoria e deu-lhe novo sentido : pensou que deviam ser como bolinhas minúsculas, como chumbo miúdo de caça, pequenas demais para os melhores microscópios. |
Sabemos hoje que os átomos são menores, muito menores do que ele pensava. Alguém calculou que, se todos os homens fossem do tamanho de um átomo, poderiam caber todos, de pé, numa ponta de alfinete ... Lavoisier começara a pesar quimicamente os gases e o passo seguinte seria, naturalmente, tentar pesar com exatidão os diferentes elementos que compõem uma substância. Uma molécula de água, por exemplo, contém dois átomos de hidrogênio para cada um de oxigênio, e por isso, é representada quimicamente pelo símbolo H 2 O. Para expor com simplicidade a descoberta de Dalton, digamos que ele estabeleceu o fato de que cada elemento tem seu peso próprio. Tomou o elemento mais leve, o hidrogênio, como base unitária - valendo 1 - e mediu os outros em comparação com o peso deste. Foi em 1803, no mês de setembro, que Dalton publicou a primeira lista de pesos atômicos dos elementos, pouco ainda em comparação com os que se conhecem atualmente. Sua teoria sobre os átomos tornou possível explicar o modo como os átomos se combinam para a formação de moléculas. Mostrou que as combinações químicas ocorrem apenas quando há uma relação entre as substâncias : uma molécula de água, por exemplo, tem sempre o mesmo peso atômico que as outras, com dois átomos de hidrogênio juntos a um de oxigênio. Partindo desta lei, demonstrada pela primeira lista de elementos de Dalton, nasceram a teoria atômica da matéria e - podemos dizer - também a Química Moderna. Com base ainda nesta lei, foi possível elaborar uma lista de elementos, com seus pesos individuais, partindo do peso do hidrogênio para unidade. O próprio Dalton elevou o número dos componentes desta lista a vinte e um elementos. Hoje, há mais de noventa conhecidos e a lista pode ser encontrada em qualquer sala de Química. Dispondo apenas de material muito primitivo para trabalhar, Dalton não pode ser exato nos números que forneceu, mas seu livro, "O Novo Sistema de Filosofia Química", publicado em 1808, revolucionou a Ciência. Um escritor declarou que "levou a um maior número de resultados valiosos do que qualquer outro sistema que tenha sido apresentado à ciência física", o que não constitui elogio modesto. Foi esta a maior contribuição de Dalton à Ciência, mas, também, foi ele ativo em outros setores. Interessou-se, por exemplo, pela Meteorologia e deixou um diário de observações, contendo milhares de anotações cuidadosas, de valor incalculável para os que, depois dele, estudaram os fenômenos meteorológicos. Desde o aparecimento do radium e de outras revelações correlatas, a Ciência descobriu que o átomo indivisível é, na realidade, composto de partículas infinitamente menores e que o átomo é como um sistema solar, com suas partículas, ou melhor, unidades de energia, vibrando e girando em torno de um núcleo. É uma outra história, muito mais recente. De qualquer forma, a lista de pesos atômicos de Dalton até hoje é válida, se bem que, desde seus dias até agora, tenha sido muito acrescentada. É significativo ver como este homem desajeitado e mal vestido, sem amigos influentes nem posição na sociedade, foi reconhecido e honrado pelas sociedades científicas e universidades da Inglaterra e de outros países. É costume pensar em erigir uma estátua em honra de um grande homem só depois de sua morte. No caso de Dalton, por estranho que pareça, em 1833, seus amigos fizeram uma subscrição de duzentas linhas para mandar fazer sua estátua, que no ano seguinte foi colocada em frente do Real Instituto de Manchester, dez anos antes de sua morte. Seria interessante saber o que teria sentido aquele homem modesto, ao passar pelo Instituto e ver a própria estátua. Talvez depois evitasse passar por ali. A obra de John Dalton, ao estabelecer os pesos atômicos e as leis de suas combinações, abriu uma nova era para a Química. A história de sua vida cheia de coragem e persistência diante de tantos obstáculos, principalmente a pobreza e a pouco instrução, constitui em si mesma um exemplo e um grande estímulo. |